segunda-feira, 19 de julho de 2010

Um carro, uma estrada e um chalé

Completei 26 anos mês passado, e minha namorada nos presenteou com uma viagem a uma pousadinha em Socorro, no Circuito das Águas, interior paulista, dali duas semanas. Cidade escolhida, chalé escolhido, data escolhida: faltava apenas decidir qual carro nos levaria e por quais estradas.

Recorri ao Google Maps para avaliar os possíveis caminhos, não sem antes verificar o sugerido pelo site da pousada. Resultado: um caminho bem mais curto e rápido pela Rodovia Fernão Dias até Bragança Paulista e depois pela Rodovia Capitão Barduíno até Socorro. Cheguei a pensar em ir pelas rodovias dos Bandeirantes e Anhanguera, seguindo pela Adhemar de Barros, e depois seguindo até Lindóia e então Socorro, caminho que eu conheço muito bem e que faço pra ir ao Encontro Paulista de Automóveis Antigos, em Águas de Lindóia. Este caminho, muito mais longo, me atraía em função da conservação exemplar (e áreas de escape) em todos os trechos, e quando se viaja com um carro antigo isto adquire um peso ainda maior, mesmo que seja necessário pagar diversos pedágios.

Na última vez que eu trafegara pela Rodovia Fernão Dias para além de Mairiporã a rodovia inteira estava mal conservada, com o asfalto bem ruim, e realmente colocava em risco a segurança dos viajantes. Em função disso, perguntei a alguns amigos se algum deles trafegara recentemente por ela, mas não tive nenhuma resposta conclusiva; ninguém sabia ao certo o estado atual da rodovia.

Desde quando soube que iríamos viajar pensei em irmos com meu xodó, um Escort XR3 Conversível 1988 amarelo que pertenceu ao meu avô e há alguns anos é meu. Ironicamente, ele é mais velho que a minha namorada, mas apesar da idade apresenta uma confiabilidade mecânica só conseguida em carros utilizados com freqüência. Pra mim, carros foram feitos para andar, e não há nada mais glorioso para um automóvel do que ser utilizado em sua plenitude no ambiente para o qual foi pensado. No caso, uma estrada bem pavimentada. O carro é original a álcool e está bem conservado, com tudo funcionando, inclusive o ar condicionado e vidros e travas elétricos, todos originais de fábrica. Até o problemático check-control, central eletrônica que concentra os avisos de nível baixo de fluidos do lavador de pára-brisas, arrefecimento, partida a frio, tanque de combustível e o sensor de desgaste das pastilhas de freio, funciona. De não original, apenas um rádio moderno (o original está guardado e em perfeito estado) e o alarme que eu instalei (coisas do Brasil).
Apesar de confiar no carro e adorar viajar sem um teto sobre a cabeça, gosto este felizmente compartilhado pela patroa, conheço muito bem suas limitações. E a principal é a falta de aptidão para estradas não pavimentadas. E são dois os motivos: pequena altura livre do solo e elevada torção da carroceria. E esta falta de aptidão foi determinante na escolha do carro que nos acompanharia nesta breve jornada: o Clio da minha companheira de viagem.

O Renault Clio em questão é um Hi-Flex ano/modelo 2008, em sua configuração básica, com três portas, com pouco mais de 35 mil quilômetros rodados. Básico porém com ar quente e limpador e desembaçador do vigia traseiro, nem sempre presentes em carros dessa categoria. Já o dirigira algumas vezes aqui em São Paulo e por duas vezes em estradas, ambas em trechos mais curtos e com o carro lotado, onde não foi possível fazer uma avaliação justa do carro. Apenas constatei o óbvio, que o espaço interno é limitado para cinco ocupantes, que o acesso ao banco traseiro é difícil e que o motor de um litro de deslocamento e naturalmente aspirado sofre com a elevada massa que é obrigado a carregar nessas condições.
Para a curta viagem em questão, com apenas dois ocupantes e não muita bagagem, o espaço interno é mais do que satisfatório. O porta-malas, dentro da média da categoria e com fácil acesso, não foi suficiente para todas as tralhas que levamos, dentre elas casacos grossos e até um volumoso cobertor, já que a pousada disponibiliza apenas um por chalé e imaginamos que iríamos passar frio. Dei preferência a ter plena visão traseira, ou seja, não ocupei o espaço sobre o tampão traseiro e coloquei as bagagens que não couberam no porta-malas no banco traseiro, prendendo-as com os cintos de segurança. Não, não foi por medo que elas se ferissem em um eventual acidente, mas para que elas não ficassem soltas, se movendo em alguma freada ou em curvas.

Bagagens resolvidas, vamos aos ocupantes. Os bancos dianteiros são confortáveis, apesar do tecido simples, e contam com razoável apoio lateral, e o espaço interno na dianteira é bom. Sinto falta de regulagem de altura do banco do motorista e de regulagem de altura e profundidade do volante, o que me faz sentar em posição muito elevada, já que tenho mais de 1,8 metro de altura, mas a ergonomia ainda é superior à de Palio, Celta, Corsa e Gol pré-modelo novo, este ainda vendido na versão básica. Péssima só a posição dos botões do vidro elétrico no console central, próximos ao painel, o que obriga os ocupantes a afastar as costas do encosto do banco para acioná-los. Falha grave, mas já corrigida nas versões com vidros elétricos de série. Chega a dar saudades dos comandos do conterrâneo Peugeot 206/7, estes também no console central mas em posição bem mais recuada, próximos à alavanca de freio de mão, muito mais práticos, mas ainda assim menos práticos que a posição que considero ideal, nos painéis de porta, próximos ao apoio de braço.
Sexta-feira, quatorze horas. Pendrive espetado no rádio Sony, recheado com 8Gb de músicas, suficientes pra não repetir uma música sequer durante toda a viagem. Pegamos um pouco de trânsito pra sair de Sampa e entramos na estrada. Ah, sim, decidi ir pela Fernão Dias, já que não li nenhuma crítica muito aguda ao estado atual dela e o Clio me dava tranqüilidade para enfrentar algum eventual problema de conservação na via. Mas fui surpreendido positivamente pelas condições da rodovia, que apesar de estar longe da qualidade da Bandeirantes ou da Imigrantes não traz nenhum problema grave. Saio da Fernão Dias em Bragança e sou forçado a atravessar a cidade para acessar a outra estrada, também em bom estado, mas de pista simples. Sigo viagem com tranqüilidade, apesar de sempre um pouco acima do baixo limite de velocidade da via, tomando cuidado com radares. O motor flex abastecido com álcool permite ultrapassagens tranqüilas em descidas ou em trechos planos, e só fica nítida a falta de força em subidas. O torque e potência máximos (10,2kgfm e 77cv, respectivamente) chegam somente em altas rotações (4250 e 6000rpm), faixa de giro em que o motor é mais áspero e o ruído na cabine chega a incomodar um pouco.
O carrinho enfrenta as curvas e a minha falta de moderação no pedal do acelerador como gente grande, ficando sempre a mão e transmitindo segurança. Minha namorada (e dona do carro) nem reclama do modo como dirijo e da avaliação até então velada que realizo. A calibração de suspensão consegue um bom compromisso entre conforto e desempenho, utilizando rodas de 14 polegadas de diâmetro calçadas com pneus 175/65. Pontos para o francesinho. Sigo as ordens do GPS e saio desta para uma estradinha vicinal onde se encontra a pousada. Asfalto recém-recapeado, muito bem feito, sem nenhum “bump” ou desnível e cheia de curvinhas, muito gostosa de transpor. Bate um arrependimento por não ter ido com o Escort, aproveitado a estrada em um descapotável em ótima companhia e vislumbrando possíveis passeios noturnos, meus favoritos, com o céu estrelado sobre nossas cabeças.
Chegamos à pousada. Parte do meu arrependimento passa ao ver o esburacado caminho que leva à recepção e posteriormente ao chalé. Ainda seria viável ir com meu amarelinho, penso; seria só passar bem devagar, com cuidado. Instalamo-nos no chalé, muito agradável, por sinal. Após um repouso e um bom banho, saímos para jantar. O recepcionista não sabia informar sobre restaurantes na cidade, apenas ofereceu alguns catálogos de delivery. Resolvemos então seguir a dica de uma colega de trabalho da patroa: uma lanchonete no centro que, segundo ela, tinha o melhor hot dog que ela já comera. Passamos em frente a ela e resolvemos dar uma volta pelo centro, conhecer a cidade e procurar alguma alternativa. Voltamos à lanchonete recomendada, de aparência simples, um dos pouquíssimos estabelecimentos abertos na cidade após as 20 horas. Como considero que aparência sozinha não significa nada e o local era limpo e bem organizado, encaramos. Sinto pena da colega que nunca comeu um hot dog melhor do que aquele, servido em pão de hamburger e longe, muito longe, de ser memorável. Medíocre, se for. Melhor escolha faço ao pedir uma porção de fritas para acompanhar, muito bem servida. Voltamos ao hotel e começamos a planejar o dia seguinte.
Acordamos relativamente cedo, com frio mesmo com as duas cobertas. Frio, aliás, muito mais presente na parte da manhã do que na noite. Um bom café da manhã nos aguarda numa cesta sobre uma mesa na parte externa do chalé. Café e banho tomados, seguimos para a Gruta do Anjo, que fica no terreno da pousada e dá nome à esta. A gruta era, na verdade, uma mina de Quartzo, Feldspato e Granito desativada desde 1995, cuja entrada é um corte amplo no morro e não exige que desçamos ou atravessemos fendas estreitas. Com o passar dos anos, a água que brotou do morro forrado de vegetação formou um lago de água cristalina, filtrada pelas rochas, com mais de 4 metros de profundidade, por onde é possível andar de pedalinho, este o único acesso à parte de trás da gruta. Vale a visita, apesar de o guia mostrar insistentemente imagens pouco verossímeis formadas pelas rochas, entre elas um anjo, motivo do nome dado à gruta.
Saímos dela dispostos a ir até um parque privado cujo folheto no chalé anuncia diversos esportes radicais. Na recepção somos informados que há um parque, também privado, que é melhor e mais completo que o do folheto. Fomos a ele; ou ao menos tentamos.

Seguimos pela estradinha vicinal no sentido oposto ao da rodovia, seguindo placas para a região do parque indicado. Seguindo-as, caímos numa estrada de terra batida, estreita e um pouco esburacada. Alguns quilômetros de buracos e placas confusas depois, percebo que o parque não é mesmo praquele lado, mas passo a seguir placas para um mirante (“já que estamos aqui...”).
Mais alguns quilômetros de sítios, vacas, mata-burros e muita bosta na estrada e chegamos com o valente Clio ao tal mirante. Para nossa surpresa, encontramos vários carros (todos picapes médias, SUV’s ou Jipes) estacionados lá. O mirante é um ponto de onde partem asas-delta, e que permite uma vista ampla da região, e o clima aberto colabora para uma linda vista. Algumas fotos e colocamos o carro de volta na estrada. Nessa hora, já tenho certeza de ter feito a escolha certa ao preterir o Escort ao Clio para a empreitada.
O francesinho se comportou surpreendente bem na estrada não pavimentada, encarando com valentia terrenos bem esburacados, sem raspar o assoalho ou os parachoques, e suportando meu pé pesado. Os enormes vidros das portas fazem barulho em terrenos irregulares e rangem para subir ou descer, mas isso não é um demérito ao carro uma vez que os vidros elétricos foram instalados após a compra dele, juntamente com o alarme, e portanto não são os mecanismos pelos quais a fábrica teria responsabilidade. A visibilidade é boa e, mesmo após algumas horas ao volante, a posição de dirigir não chega a cansar.

Ponto negativo para a incapacidade do carro em enfrentar subidas íngremes em segunda marcha, mesmo vazio, me obrigando a recorrer à primeira marcha freqüentemente e a tolerar a elevada rotação necessária para se ter uma velocidade minimamente razoável. Rotação, aliás, que eu não posso precisar, já que o painel não dispõe de conta-giros, equipamento que faz falta em um carro onde é necessário um bom aproveitamento do motor e saber a rotação deste seria de grande valia. Outro senão é o trambulador que ainda utiliza varões, que se não comprometem muito o manuseio da alavanca (ainda mais para quem está acostumado com a imprecisão de um Escort que utiliza o mesmo sistema), provoca vibração excessiva desta e chegou, em um trecho de terra mais irregular, a fazer com que a marcha escapasse, mas foi um caso isolado em uma condição bem diferente da ideal.
Encaramos o mesmo percurso de terra no sentido contrário e chegamos de volta ao asfalto. Seguimos mais poucos quilômetros pra longe da pousada e finalmente nos encaminhamos para o parque, desta vez pelo caminho certo. Novamente estrada de terra batida, mas desta vez com placas claras mostrando a distância a percorrer. Mais alguns quilômetros e chegamos à portaria do Parque dos Sonhos. Estacionamos, preenchemos um termo de responsabilidade, pegamos um mapa do parque e aproveitamos as trilhas no meio da mata, quedas d’água e grutas (estas naturais mas minúsculas) pelo resto da manhã até o meio da tarde, quando finalmente paramos para comer um lanche. Passamos na lojinha de lembranças e voltamos ao nosso agora imundo Renault.
Voltamos à pousada, descansamos um pouco e nos preparamos para o jantar. Por falta de opção em Socorro, pegamos a estrada rumo a Águas de Lindóia em busca de um fondue. Estrada de pista simples, sinuosa e bem pavimentada; um deleite para um entusiasta. E o francesinho não me decepciona, encara as curvas com desenvoltura novamente, e me mostra uma característica que nunca tinha se destacado antes: um excelente farol, tanto no facho alto quanto baixo, de fazer inveja a carros de preço bem mais elevado. Transmite total segurança no breu da estrada, sem pontos escuros e com o asfalto iluminado desde a parte mais próxima ao carro, do ponto de visão do condutor, e com bom alcance. Louvável. Excelente, também, é a iluminação do painel de instrumentos.

Passeamos por uma Águas de Lindóia tranqüila, bem diferente da época do evento de autos antigos. Restaurante escolhido, prato já pré-escolhido. Fondue já no estômago e caminho de volta rumo ao nosso chalé.

Domingo, dia de voltar pra Sampa. Acordamos, café da manhã, banho, malas refeitas. Carro cheio, estadia paga, passamos pra conhecer o centro de Socorro à luz do dia. Nada demais. Seguimos para dois shoppings de lojas de fábricas de malhas na estrada rumo a Lindóia, mas ainda em Socorro, para comprar algumas lembranças e eventualmente alguma roupa. Uma hora depois, poucas compras nas fracas lojas, e seguimos de volta pra casa.

Era dia de Brasil versus Costa do marfim, 15:30 horas. Assistiríamos ao jogo na casa de um amigo no Jardim Anália Franco, bairro de fácil acesso vindo pela Fernão Dias. Pegamos a rodovia rumo a Bragança. Alguns poucos carros, caminho tranqüilo. Atravessamos a cidade e entramos na Fernão Dias. Esta está bem mais cheia, mas ainda sem trânsito. O Cliozinho vai bem, mas em velocidades muito elevadas ele não transmite tanta segurança nas curvas, apesar de não ter dado nenhum susto significativo. Cruzamos com muitos motoristas extremamente irresponsáveis, que por mérito meu e de alguns outros motoristas não provocaram acidentes sérios. Irresponsabilidade braba, provavelmente fomentada pela pressa para chegar a algum lugar para assistir ao jogo. Chegamos aliviados à casa do meu amigo, e ainda a tempo de ouvir o Hino Nacional na TV. Estávamos de volta.
O Clio se mostrou um bom companheiro de viagem. Volante de boa empunhadura e diâmetro, posição de dirigir mais confortável que a do Corolla 2004, carro algumas categorias acima e que é o que mais dirijo. O motor, apesar de áspero em altas rotações talvez em função da baixa taxa de compressão (10:1) para álcool, e com torque e potência típicos de propulsores de um litro, se mostrou suficiente para uma viagem curta em casal. Vale observar que em casa mora também um Peugeot 206 com motor de 1 litro e 16 válvulas de origem Renault, só a gasolina, e que apresenta um comportamento bem diferente desse: demonstra muito mais vontade de girar, mas entrega menos torque principalmente em baixas rotações, exigindo sempre que se trabalhe em rotações elevadas para obter um desempenho satisfatório, tornando o carro menos agradável para ser conduzido na cidade mas mais empolgante na estrada. A ausência de assistência na direção faz muito pouca falta, só é percebida mesmo na hora de manobras apertadas, tanto que nem citei o fato até agora. O ar condicionado não fez falta em função do frio e da presença de aquecimento, mas em outras ocasiões sua ausência é sentida. Ambas as ausências contribuem para a boa impressão do desempenho em baixa rotação quando comparado ao supracitado Peugeot, equipado com esses itens e mais de 100kg mais pesado.

O acabamento se mostrou superior à média da categoria, sem rangidos ou encaixes malfeitos e com texturas que demonstram cuidado do fabricante e painel em duas cores, agradável mas com desenho bem desatualizado. O painel de porta não traz tecido, disponível apenas nas versões superiores. Faz falta um porta-copos de verdade, já que os buracos na parte interna da tampa do porta-luvas destinados para este fim servem para, no máximo, apoiar copos pequenos com o carro estacionado.
Apesar de alguns poréns, o Clio é, ao lado do Peugeot 207, o carro que mais me empolga na categoria de entrada, e faz valer cada centavo gasto. Atende muito bem às necessidades de alguém solteiro, a um casal sem filhos ou até como segundo/terceiro/quarto carro da família, onde o espaço no banco traseiro não é um item importante. Se o desenho não empolga nem traz novidades, está longe de ser desagradável, ainda mais quando comparado aos concorrentes diretos.

Foram 448 km no total, sempre comigo ao volante, sem abastecer graças ao tanque de 50 litros e ao apetite moderado (do carro), e sem pagar nenhum pedágio, fato notável no Estado de São Paulo, mas que não deve se repetir: já estava em fase avançada de construção uma praça de pedágio na Fernão Dias, na altura de Mairiporã.

Um final de semana para ser repetido, e cuja relação diversão/custo é excelente. Palmas pra escolha feita pela patroa. E se o hot dog não foi memorável, a viagem certamente foi.

P.S.: Este post foi escrito para um blog no qual colaboro, por isso o foco no carro.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Vida nova, mas nada a ver com o ano novo...

E o ano começou.
Passei o Réveillon em Sampa mesmo, com alguns poucos amigos, minha mãe e uma tia aqui em casa. Comemos, bebemos, jogamos pôquer, batemos papo, rimos. Um bom começo de ano, definitivamente.

Já na segunda semana reencontrei uma pessoa que havia conhecido brevemente no ano passado. Bem brevemente, apenas comprimentos trocados, em duas ocasiões. Mas desta vez foi diferente; conversamos, demos risada, dei dois "foras" homéricos com ela em poucas horas. E, quem diria, mesmo após esses tropeços, nos entregamos a algo que parecia complicado, até improvável. Mas está sendo incrivelmente natural, gostoso, ao menos pra mim.
Eu digo complicado mas na verdade não é nada demais, é só o fato de ela ser cunhada de um amigo meu de longa data, com quem mantenho e sempre mantive muito contato; um verdadeiro irmão. Eu já conhecia a mãe dela, já tinha visitado sua casa mesmo antes de começarmos a sair. Ah, e o fato de ela ser mais nova que eu, mas nada que me torne um pedófilo. Aliás, felizmente ela é bem madura, bem pé no chão. Acho que mais até do que eu era na idade dela. Fato raro nestes tempos de jovens mimadas e instáveis.
Fazia um certo tempo que eu não pedia alguém em namoro, ou sequer tinha vontade de fazê-lo. Mas nos demos tão bem tão rápido, parece que convivemos faz tempo, que resolvi fazê-lo após poucos dias de intensa convivência. E agora estamos nos conhecendo melhor, já como namorados.
Ela já conheceu minha mãe, que, claro, já soltou uma de suas pérolas que me dão vontade de não trazer ninguém nunca mais pra casa quando ela está. Apesar de ela negar que seja esta a intenção, é o que esse tipo de atitude dela tem provocado. E depois reclama que ninguém fica em casa...

Final de semana chegando, dessa vez sem nenhum churrasco marcado (ainda), um fato felizmente raro neste ano. A única certeza deste final de semana é mesmo a chuva.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Festas


Quando mais novo ansiava pela chegada do natal, pensando no que eu ia ganhar ou pedir de presente. Era uma ansiedade boa, uma diversão na hora de distribuir os presentes que estavam ao pé da árvore pra toda família; meia-noite parecia nunca chegar.

Hoje não é assim. Esse período se tornou quase um martírio. E os motivos são vários. Ter que comprar presentes, coisa que definitivamente eu não sei e não gosto de fazer é um deles. Outro é ser forçado a encontrar parentes dos quais as vezes é melhor manter distância. Mas o principal é ter que ficar negociando com qual parte da família eu vou passar a ceia da véspera, com quem vou almoçar no dia 25, na casa de quem. É uma discussão cujo final sempre desagrada a todos, é impressionante. A carência familiar cresce exponencialmente, parece que é um crime se você passou "só" seis ou oito horas com todo mundo. Isso cansa.
 
No Reveillón estou com bastante vontade de me isolar, seja num apartamento vazio disponível na praia, seja em Sampa mesmo. Onde tiver menos gente. É engraçado, às vezes eu sinto falta de companhia, mas em geral a presença de outras pessoas me incomoda. A explicação mais lógica é que eu quero a presença de alguém que eu ainda não conheço. Fácil assim! Rs.

Ah, outra parte que me faz desgostar do natal: trânsito. Sim, moro perto da Av. Paulista e do Parque do Ibirapuera, locais onde o trânsito fica péssimo de noite e de madrugada em função das  milhares de pessoas que resolvem ver as decorações natalinas. E olha que a árvore de natal ao lado do Obelisco é horrível, parece mais feia a cada ano, impressionante. Se fosse bonita, então...

Agora, a parte boa: dentre outros presentes, ganhei uma trilogia de "O Poderoso Chefão - The Coppola Restoration" com os 3 filmes, mais um DVD de extras e uma camiseta. Só que no natal passado eu já havia ganhado um box com os três filmes, também da série The Coppola Restoration, só que sem o DVD de extras e sem a camiseta. Pena q não dá pra trocar o antigo. Ah, sim, e uma miniatura de um 1937 Cord Convertible pra montar, muito legal (algumas partes de uma criança nunca envelhecem...).

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Tem dias que a noite é foda 2

Essa combinação de não conseguir dormir com não conseguir acordar não está me fazendo bem. Desde que tirei um siso, há exatas duas semanas, não consigo me sentir disposto, bem, em nenhum momento. Ou estou com uma dor lancinante no maxilar, que se alastra até o ouvido, ou estou com dor de cabeça. Ou ambos, como agora.

Ainda não consigo mastigar nem abrir a boca normalmente, o que me leva a evitar comer bifes ou mascar chicletes, dentre outros. É inegável que estou ampliando o que consigo comer a cada dia, mas dada a facilidade e rapidez com que me recuperei da retirada do outro siso, esperava uma recuperação mais abreviada.

Hoje fui ao mercado, e, como se isso só não fosse suficiente pra tornar o dia menos agradável, cruzei com uma ex-sogra lá. Eu sabia que ela tinha se mudado pras redondezas, e sabia que um encontro era inevitável. Felizmente, fingi que não a vi, empurrei o carrinho com vitalidade e continuei ouvindo Hell's Bells. E espero que ela não me tenha visto. Ô praga...

Desliguei o computador cedo, antes de 1h da manhã, e me deitei objetivando dormir rapidamente. Assisti a alguns episódios repetidos no Warner Channel antes de desligar a tv. E cá estou, deitado, com sono mas sem conseguir dormir, digitando no diminuto teclado do celular. Agora já passa das 3h, e tem um pernilongo invisível e inaudível fazendo a festa aqui.

Já desisti do analgésico, uma vez que tomar até a dose máxima raramente surte efeito.

Constatação de carência na madrugada: preciso de algo mais que um ombro amigo, preciso de uma companheira.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Tem dias que a noite é foda

Alguns dias são mais difíceis que outros. Óbvio. Hoje eu acordei especialmente irritado com tudo. Agora, tentando esfriar um pouco a cabeça, vejo que eu posso resolver boa parte do que me irrita. É só cortar contato com boa parte da família, o que inclui não morar mais na casa da minha mãe, e passar a agir como minhas irmãs, pouco se fodendo com os ascendentes.
Tirando sair de casa, que a falta de dinheiro eu posso resolver a médio prazo, o restante eu não consigo fazer. Como já disse uma vez, mas em outro contexto, I care too much to do that. Só não sei o que ganho com isso.

P.s.: Post escrito no celular no domingo, 22/11, enquanto aguardava meus amigos chegarem na nossa "missa".

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Feriado?

Feriado, hoje? Eu passei o dia dirigindo e/ou me contendo pra não ser rude. Passei o dia tendo que encarar o fato de que o exemplo de vida que eu recebo dos meus avós maternos é de pessoas que trabalharam muito a vida inteira sem pensar em qualidade de vida e metem os pés pelas mãos ao tomar decisões súbitas. Seja a decisão de vender uma empresa, seja a decisão de investir pesado num negócio ou seja a decisão de mudar de casa. Impressionante como as coisas parecem sempre piorar. Meu avô, com 85 anos, está querendo mudar de cidade pra um local mais longe, sem estrutura pra um casal idoso enfermo, para acompanhar de perto o negócio onde ele aplicou o dinheiro que juntou a vida toda. Ou seja, pra trabalhar. Detalhe: ainda não completou um ano que ele infernizou a vida da família inteira falando que ia sair dessa mesma cidade pois não aguentava mais morar nela. Vendeu a casa que morava, gastou bastante dinheiro na mudança, fez minha mãe e minha tia acharem um apartamento pra ele alugar em Santos as pressas e desde o dia em que chegou lá ele não para de reclamar. Do mesmo jeito que fazia quando na cidade pra a qual ele quer voltar.

Isso é vida? Minha avó, com 87 anos e Mal de Alzheimer, não sabe nem direito onde está. Fomos ver uma casa hoje pra alugar e ela não conseguiu andar pra ver a casa inteira, a força acabou na metade. E ele quer ir pra longe de médicos, filhos e netos. E quando argumentamos, ele se irrita e quer ir embora.

Espero que eu não seja tão cabeça-dura quanto ele.


Post scriptum: Essa postagem foi escrita no celular na segunda-feira, 2 de novembro, dia de finados, enquanto esperava todos se aprontarem para voltarmos a São Paulo.

domingo, 18 de outubro de 2009

Nada de novo

A vida é estranha. Hoje me bateu uma tristeza, e sem nenhum motivo em especial. Nada a ver com o pífio desempenho do meu time nos últimos jogos, nada a ver com o azar do Barrichello na corrida de hoje. Isso não me afeta tanto; ao menos, não dessa forma.
Estou deixando a vida passar, perdendo oportunidades que não deveria perder. E é tão fácil falar... Conversei com uma amiga ontem que falou que se arrepende, também, de muita coisa que poderia ter feito no passado mas não fez, e que, como eu, quer a partir de agora poder só se arrepender do que fizer. E, ironicamente, tenho a impressão que ela já está arrependida de ter realizado recentemente uma mudança radical na vida. Justo quando ela age, já dá errado.
Amanhã é segunda-feira, e eu já tenho um "pacote" de mudanças a implantar, a começar por ter um pouco mais de cuidado com a minha saúde. Do jeito que está, não dá. Já adiei o que dava.
Agora vou ler as cem páginas restantes da biografia do Tim Maia, escrita pelo "Nelsomotta". E parar de pensar besteira.

p.s.: O primeiro final de semana sem ela me procurar!! :-)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Vai entender...

Nem eu me entendo. Por que eu escrevi um texto sobre o Chico Buarque sendo que eu conheço várias pessoas que sabem muito mais a respeito dele do que eu? Uma análise tosca e superficial, que nem de análise merece ser chamada.
Só há uma explicação: impulso. O mesmo impulso que deu origem a este blog.
Ah, sim, este blog foi criado ao acaso, não foi algo estudado ou premeditado. Alguns já sabem dessa história, mas vou escrevê-la antes que ela me fuja da memória.
Numa madrugada de dezembro do ano passado eu comecei a escrever um texto. Não sei bem o porquê, só sei que meu indicador direito clicou no ícone do Word e, antes que eu percebesse, já estava vomitando palavras, frases, parágrafos. Um texto. Salvei-o e fui tentar dormir, pensativo.
Na manhã seguinte, liguei o computador e fui direto ao texto salvo. Li, reli, corrigi, treli. E percebi uma coisa importante: escrever me faz bem. Numa das releituras, me dei conta de que o texto parecia uma postagem de blog; um texto autobiográfico, não-direcionado a um leitor específico, mas que expunha um pouco do que eu sentia na ocasião. E isso poderia ajudar alguns amigos próximos a me entender, o que muitas vezes fica difícil em função do meu silêncio habitual. Resolvi, então, criar um blog. Um endereço qualquer, sem pensar muito, afinal não pretendia divulgar o endereço, mesmo. E postei o referido texto. Alguns dias depois, acabei por mandar o endereço a alguns poucos amigos. E foi assim que começou. Impulso puro.
Acho que nós morremos quando conseguimos controlar todos os impulsos. Ou, talvez, quando cedemos a todos eles.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Música +

Alguns compositores são bons; outros, poucos, muito bons. E raros são melhores que estes.
Um destes últimos é o Chico Buarque. Um homem que ao mesmo tempo tem uma visão clara das entranhas da sociedade e consegue captar a essência das mulheres. Admirável, no mínimo. Como se não bastasse, ainda se faz claro ao externar em forma de belas poesias cantadas a percepção que tem do amor, da vida, da política e de nós, homens.
Ele não é um grande cantor. E nem precisa. Uma legião de brilhantes intérpretes já gravou músicas de sua autoria, frequentemente melhor cantadas. Mas qualquer que seja a versão se reconhece o carimbo do Chico na letra.
Falando em visão de sociedade, me vem uma música à cabeça de imediato: Geni e o Zepelim.

Originalmente na Ópera do Malandro, essa música é o mais puro retrato da hipocrisia. E, infelizmente, não poderia ser mais fiel à realidade.
Assim como citei esta poderia ter citado diversas músicas, mas uma já é suficiente para defender minha tese.
Falando em canções de amor (e, diretamente ligadas a estas, de rompimento), várias me vêm à mente também. Vou colocar uma única, que não está entre as favoritas do público, mas é belíssima. E leva o sugestivo nome de "Eu te amo", composta em parceria com outro gênio, Tom Jobim, e aqui cantada em dueto com Telma Costa.

Eu poderia ter colocado Teresa, poderia ter colocado Valsinha, dentre tantas outras. E isso é só mais uma prova do brilhantismo dele.
Outro grande conjunto de composições faz duras críticas ou até sátiras ao regime ditatorial das décadas de 60/70/80. Algumas mais discretas, outras ataques declarados, fortaleciam o coro dos que contestavam o regime. "Apesar de Você" já basta para exemplificar o grupo.
Para não me estender ainda mais, vou citar apenas mais um grupo de canções, as que falam de coisas cotidianas. Algumas delas podem também se enquadrar nos temas amor ou protesto. Pra citar apenas duas, fico com a própria Cotidiano e com Feijoada Completa.
Espero que ele ainda continue compondo por muitos e muitos anos e nos brindando com outras memoráveis canções. E bem que alguns outros que se dizem compositores podiam desistir de escrever ao ver que jamais contribuirão em nada para a música brasileira.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

10 segundos que renderam...

Hoje, ao dirigir meu carro, novamente fui abordado por um outro motorista que, após buzinar, fez o gesto que deu o apelido aos "Castanholas" da Al. Barão de Limeira. Respondi que o carro não estava a venda, e ele continuou. E eu pacientemente mantive minha posição. E ele insistiu, falou que o filho dele tinha entrado na USP e que estava procurando "um carro desses". E eu respondi novamente que não vendia; fui até educado demais.

Confesso que alguns meses atrás pensei em vendê-lo. Mas essa vontade sempre "passa". E hoje, ao ouvir a pergunta, tive um instante de hesitação. De menos de meio segundo. Foi o tempo de eu ficar ofendido com o já citado gesto, que considero rude nessa situação, e analisar que ele não poderia pagar algo que me deixasse realmente tentado a vender o meu carro dado o carro que dirigia. Ok, uma análise imprecisa, mas muito provavelmente correta. Alguém que anda de Prisma não vai querer pagar um valor que me tente num carro de mais de 20 anos.

É um carro velho (ainda não é antigo...), mas é o carro que me traz ótimas recordações da infância, que me lembra do quão simples e prazeroso um passeio de carro pode ser, era o carro do meu avô... Não é um expoente em potência, em espaço, em praticidade nem em beleza. Mas é mais gostoso de dirigir do que o outro carro que eu uso, este bem mais moderno, seguro, potente, espaçoso, aerodinâmico, confiável e caro.

Não é só por ser conversível que ele me cativa tanto. É um carro que "me veste", de uma cor que se destaca na mesmice do trânsito paulistano. Um carro confortável (ao menos pra quem anda nos bancos da frente), com ar condicionado, vidros e travas elétricos e outros caprichos que ainda hoje não são encontrados em qualquer carro. Aliás, um acabamento mais esmerado do que muitos carros atuais de preço elevado. E o par de faróis de milha em posição bastante destacada na dianteira, que dão bons sustos nos carros que resolvem ficar na minha frente quando não deveriam. Bancos que dão um ótimo apoio lateral ao corpo, relógio digital com data e cronômetro, enfim, detalhes que fazem dele um grande carro.

Meus pais perguntam se não sai muito caro mantê-lo; se vale a pena. E minha resposta é contundente: não sai barato, mas eu não vendo. Só pegar uma estrada com ele já faz o custo valer a pena. Não que qualquer viagem com ele não deixe alguns parentes preocupados, mas eu sempre digo que não há problema, que o carro é confiável. É fato que se ele der algum problema a chance de eu conseguir consertá-lo com as ferramentas que carrego no porta-malas é bastante grande, ao contrário de algum carro mais moderno, que pouco se faz sem equipamento adequado. Mas não posso negar que a chance de ele dar algum problema é bastante superior à dos os outros carros da casa.

Assim sendo, digo a todos que fico com ele.