domingo, 18 de outubro de 2009

Nada de novo

A vida é estranha. Hoje me bateu uma tristeza, e sem nenhum motivo em especial. Nada a ver com o pífio desempenho do meu time nos últimos jogos, nada a ver com o azar do Barrichello na corrida de hoje. Isso não me afeta tanto; ao menos, não dessa forma.
Estou deixando a vida passar, perdendo oportunidades que não deveria perder. E é tão fácil falar... Conversei com uma amiga ontem que falou que se arrepende, também, de muita coisa que poderia ter feito no passado mas não fez, e que, como eu, quer a partir de agora poder só se arrepender do que fizer. E, ironicamente, tenho a impressão que ela já está arrependida de ter realizado recentemente uma mudança radical na vida. Justo quando ela age, já dá errado.
Amanhã é segunda-feira, e eu já tenho um "pacote" de mudanças a implantar, a começar por ter um pouco mais de cuidado com a minha saúde. Do jeito que está, não dá. Já adiei o que dava.
Agora vou ler as cem páginas restantes da biografia do Tim Maia, escrita pelo "Nelsomotta". E parar de pensar besteira.

p.s.: O primeiro final de semana sem ela me procurar!! :-)

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Vai entender...

Nem eu me entendo. Por que eu escrevi um texto sobre o Chico Buarque sendo que eu conheço várias pessoas que sabem muito mais a respeito dele do que eu? Uma análise tosca e superficial, que nem de análise merece ser chamada.
Só há uma explicação: impulso. O mesmo impulso que deu origem a este blog.
Ah, sim, este blog foi criado ao acaso, não foi algo estudado ou premeditado. Alguns já sabem dessa história, mas vou escrevê-la antes que ela me fuja da memória.
Numa madrugada de dezembro do ano passado eu comecei a escrever um texto. Não sei bem o porquê, só sei que meu indicador direito clicou no ícone do Word e, antes que eu percebesse, já estava vomitando palavras, frases, parágrafos. Um texto. Salvei-o e fui tentar dormir, pensativo.
Na manhã seguinte, liguei o computador e fui direto ao texto salvo. Li, reli, corrigi, treli. E percebi uma coisa importante: escrever me faz bem. Numa das releituras, me dei conta de que o texto parecia uma postagem de blog; um texto autobiográfico, não-direcionado a um leitor específico, mas que expunha um pouco do que eu sentia na ocasião. E isso poderia ajudar alguns amigos próximos a me entender, o que muitas vezes fica difícil em função do meu silêncio habitual. Resolvi, então, criar um blog. Um endereço qualquer, sem pensar muito, afinal não pretendia divulgar o endereço, mesmo. E postei o referido texto. Alguns dias depois, acabei por mandar o endereço a alguns poucos amigos. E foi assim que começou. Impulso puro.
Acho que nós morremos quando conseguimos controlar todos os impulsos. Ou, talvez, quando cedemos a todos eles.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Música +

Alguns compositores são bons; outros, poucos, muito bons. E raros são melhores que estes.
Um destes últimos é o Chico Buarque. Um homem que ao mesmo tempo tem uma visão clara das entranhas da sociedade e consegue captar a essência das mulheres. Admirável, no mínimo. Como se não bastasse, ainda se faz claro ao externar em forma de belas poesias cantadas a percepção que tem do amor, da vida, da política e de nós, homens.
Ele não é um grande cantor. E nem precisa. Uma legião de brilhantes intérpretes já gravou músicas de sua autoria, frequentemente melhor cantadas. Mas qualquer que seja a versão se reconhece o carimbo do Chico na letra.
Falando em visão de sociedade, me vem uma música à cabeça de imediato: Geni e o Zepelim.

Originalmente na Ópera do Malandro, essa música é o mais puro retrato da hipocrisia. E, infelizmente, não poderia ser mais fiel à realidade.
Assim como citei esta poderia ter citado diversas músicas, mas uma já é suficiente para defender minha tese.
Falando em canções de amor (e, diretamente ligadas a estas, de rompimento), várias me vêm à mente também. Vou colocar uma única, que não está entre as favoritas do público, mas é belíssima. E leva o sugestivo nome de "Eu te amo", composta em parceria com outro gênio, Tom Jobim, e aqui cantada em dueto com Telma Costa.

Eu poderia ter colocado Teresa, poderia ter colocado Valsinha, dentre tantas outras. E isso é só mais uma prova do brilhantismo dele.
Outro grande conjunto de composições faz duras críticas ou até sátiras ao regime ditatorial das décadas de 60/70/80. Algumas mais discretas, outras ataques declarados, fortaleciam o coro dos que contestavam o regime. "Apesar de Você" já basta para exemplificar o grupo.
Para não me estender ainda mais, vou citar apenas mais um grupo de canções, as que falam de coisas cotidianas. Algumas delas podem também se enquadrar nos temas amor ou protesto. Pra citar apenas duas, fico com a própria Cotidiano e com Feijoada Completa.
Espero que ele ainda continue compondo por muitos e muitos anos e nos brindando com outras memoráveis canções. E bem que alguns outros que se dizem compositores podiam desistir de escrever ao ver que jamais contribuirão em nada para a música brasileira.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

10 segundos que renderam...

Hoje, ao dirigir meu carro, novamente fui abordado por um outro motorista que, após buzinar, fez o gesto que deu o apelido aos "Castanholas" da Al. Barão de Limeira. Respondi que o carro não estava a venda, e ele continuou. E eu pacientemente mantive minha posição. E ele insistiu, falou que o filho dele tinha entrado na USP e que estava procurando "um carro desses". E eu respondi novamente que não vendia; fui até educado demais.

Confesso que alguns meses atrás pensei em vendê-lo. Mas essa vontade sempre "passa". E hoje, ao ouvir a pergunta, tive um instante de hesitação. De menos de meio segundo. Foi o tempo de eu ficar ofendido com o já citado gesto, que considero rude nessa situação, e analisar que ele não poderia pagar algo que me deixasse realmente tentado a vender o meu carro dado o carro que dirigia. Ok, uma análise imprecisa, mas muito provavelmente correta. Alguém que anda de Prisma não vai querer pagar um valor que me tente num carro de mais de 20 anos.

É um carro velho (ainda não é antigo...), mas é o carro que me traz ótimas recordações da infância, que me lembra do quão simples e prazeroso um passeio de carro pode ser, era o carro do meu avô... Não é um expoente em potência, em espaço, em praticidade nem em beleza. Mas é mais gostoso de dirigir do que o outro carro que eu uso, este bem mais moderno, seguro, potente, espaçoso, aerodinâmico, confiável e caro.

Não é só por ser conversível que ele me cativa tanto. É um carro que "me veste", de uma cor que se destaca na mesmice do trânsito paulistano. Um carro confortável (ao menos pra quem anda nos bancos da frente), com ar condicionado, vidros e travas elétricos e outros caprichos que ainda hoje não são encontrados em qualquer carro. Aliás, um acabamento mais esmerado do que muitos carros atuais de preço elevado. E o par de faróis de milha em posição bastante destacada na dianteira, que dão bons sustos nos carros que resolvem ficar na minha frente quando não deveriam. Bancos que dão um ótimo apoio lateral ao corpo, relógio digital com data e cronômetro, enfim, detalhes que fazem dele um grande carro.

Meus pais perguntam se não sai muito caro mantê-lo; se vale a pena. E minha resposta é contundente: não sai barato, mas eu não vendo. Só pegar uma estrada com ele já faz o custo valer a pena. Não que qualquer viagem com ele não deixe alguns parentes preocupados, mas eu sempre digo que não há problema, que o carro é confiável. É fato que se ele der algum problema a chance de eu conseguir consertá-lo com as ferramentas que carrego no porta-malas é bastante grande, ao contrário de algum carro mais moderno, que pouco se faz sem equipamento adequado. Mas não posso negar que a chance de ele dar algum problema é bastante superior à dos os outros carros da casa.

Assim sendo, digo a todos que fico com ele.

domingo, 4 de outubro de 2009

Little Darling

Sábado passado fomos ao Little Darling bebemorar o aniversário do Baixinho (que só é baixinho se comparado ao nosso grupo, não à população em geral...). Estava ansioso pra ver como ficara essa casa com a proibição de fumar em ambientes fechados em vigor. E ela ganhou pontos no meu conceito. A banda residente continua a mesma, os drinks continuam os mesmos, inclusive o imbatível V8 (um blend de 8 bebidas diferentes, não me pergunte exatamente quais, que tem gosto e cheiro de gasolina e vem com meia laranja sobre o copo, servido numa bandeja pegando fogo com direito a parada da banda pra tocar uma música cada vez que é servido). Mas o grande senão da casa, a fumaça de cigarro, não se faz mais presente. Que alegria! Sair de lá, entrar no carro e não ficar intoxicado com o cheiro das próprias roupas; poder sair de lá e ir pra outros lugares sem se sentir sujo. Maravilha. Só espero que não seja mais uma lei passageira, que continue em vigor e continue sendo cumprida.
Fui pra Santos ontem a noite, voltei hoje após o almoço, e jajá vou pra minha missa dominical (num barzinho/ padaria) louvar a minha religião, a cerveja.
E ela insiste, é realmente impressionante. E eu cheguei a achar que eu era insistente...